A gente se encontra no metaverso!

A expressão metaverso foi criada pelo escritor Neal Stephenson em seu livro “Nevasca” (“Snow crash”), em 1992, para se referir a um mundo virtual no qual as pessoas se encontravam, namoravam, jogavam e faziam compras. No limiar de 2022, significa um ambiente 3D no qual videogames, redes sociais e entretenimento vão se fundir para criar experiências de imersão. Ali, através de seus avatares, os participantes vão interagir e fazer tudo o que fariam na vida real, mas não sinta calafrios como se estivéssemos à beira do apocalipse. É claro que gigantes de tecnologia salivam diante do potencial do mercado – não foi à toa que Mark Zuckerberg rebatizou seu negócio como Meta – e basta imaginar as vendas de acessórios para seu avatar ser capaz de realizar proezas e estar na última moda. No entanto, o metaverso pode ser muito mais. Ele pode ajudar gente de carne e osso.

Menina brinca com visor de realidade virtual: metaverso vai fundir videogames, redes sociais e entretenimento  — Foto: Yohoprashant para Pixabay

Menina brinca com visor de realidade virtual: metaverso vai fundir videogames, redes sociais e entretenimento — Foto: Yohoprashant para Pixabay

Alguém se lembra do Second Life? Lançado em 2003, tornou-se uma febre e todas as empresas queriam estar naquela réplica do nosso mundinho, até que micou e sumiu do mapa. Vamos considerá-lo uma espécie de avô do metaverso. De lá para cá, a tecnologia evoluiu aos saltos, com visores de realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA), realidade mista (que une características de RV e RA), telas de alta definição, luvas de controle e outros dispositivos que podem ser vestidos (wearables). Tudo isso, junto e misturado, será o metaverso. Verdade que, de lá para cá, também enfrentamos o tsunami de fake news e redes de ódio, mas fico seduzida pelas lentes dos otimistas, que enxergam o metaverso como uma plataforma capaz de revolucionar a saúde, o ensino, as relações humanas.

Para começar com algo potente: é um espaço com grande potencial para aliviar sintomas de ansiedade, dor ou depressão. No Instituto de Tecnologias Criativas, na Universidade do Sul da Califórnia, o psicólogo Albert “Skip” Rizzo já utiliza a realidade virtual para tratar o transtorno de estresse pós-traumático de veteranos das guerras do Iraque e Afeganistão. Na chamada terapia de exposição, o paciente, guiado por um terapeuta treinado, confronta seus traumas através da simulação dessas experiências. Usando um visor, entra num ambiente virtual com diferentes cenários daqueles países, que vão de cidades a estradas desertas.

Vítimas de queimaduras atendidas num programa da Universidade de Washington, crianças internadas no Hospital Los Angeles e mulheres em trabalho de parto no Cedars-Sinai se valem da realidade virtual para auxiliar no controle da dor. Nesses casos, os pacientes entram sozinhos no ambiente virtual; no metaverso, estariam acompanhados por familiares, médicos e enfermeiros, numa vivência provavelmente ainda mais benéfica. No Centro de Simulação e Inovação em Educação Médica da Universidade de Miami, os alunos interagem com um manequim que reproduz praticamente todo tipo de distúrbio cardíaco. Usando headsets de RV, visualizam tudo o que ocorre dentro do “organismo” e aprendem o que deve ser feito em cada situação. Treinamentos virtuais permitem que os estudantes cometam erros e recebam a orientação correta sem causar danos a pacientes reais.

Os sedentários receberão uma ajuda extra para se exercitar: imersos num universo paralelo com visores, se desviarão de obstáculos, socarão formas (ou inimigos) que se aproximam e, inclusive, contarão com companheiros nessa jornada. O headset Oculus Quest 2 foi lançado durante a quarentena com grande sucesso, já que as pessoas estavam confinadas em casa. Uma versão turbinada e com mais opções de jogos de aptidão física é aguardada para 2022. A experiência imersiva do metaverso pode realmente trazer o mundo para a sala de aula, democratizar as viagens, levar a arte a qualquer lugar, fazer com que os seres humanos entendam melhor os problemas do planeta, como as mudanças climáticas. O prazo? Talvez menos de uma década. A gente se encontra lá!