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Idoso que mora em cubículo há 20 anos no Centro de SP não foi contado pelo censo da população de rua

Idoso que mora em cubículo há 20 anos no Centro de SP não foi contado pelo censo da população de rua

Metodologia do censo da população de rua é questionada; ONGs acreditam em subnotificação
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Metodologia do censo da população de rua é questionada; ONGs acreditam em subnotificação

Um idoso que mora há mais de 20 anos em um cubículo degradante, sem água nem banheiro na região central da capital paulista não foi contado pelo censo da população de rua da Prefeitura de São Paulo, assim como não foram considerados na contagem as pessoas que moram debaixo de viadutos. Representantes de movimentos sociais questionam a metodologia e acreditam em subnotificação.

A reportagem do g1 falou com Seu Cícero na tarde de segunda-feira (24). Ele mora no compartimento externo de um antigo restaurante onde antes ficava o botijão de gás industrial. A reportagem presenciou quando Seu Cícero saiu do cubículo com um galão de água, que encheu em uma borracharia das proximidades. À reportagem, ele afirmou que não falou com agentes do censo recentemente e portanto não foi contado (veja no vídeo acima).

De acordo com a Prefeitura, atualmente há 31.884 pessoas vivendo nas ruas da cidade. Em 2019, eram 24.344 pessoas: o aumento numérico é de 7.540 pessoas e representa uma alta de 30%. O programa de auxílio que a Prefeitura está lançando vai atender até o final do ano apenas 5,25% dessa população (saiba mais abaixo).

g1 perguntou à Prefeitura se o censo havia deixado de contar pessoas em situação de rua como o Seu Cícero e pessoas que vivem debaixo de viadutos, mas a Prefeitura não respondeu diretamente. O procedimento é o padrão, entretanto. No último censo de 2020, moradores de barracos de madeira debaixo de viadutos também não foram contabilizados.

Em nota, a Prefeitura disse que "a Pesquisa Censitária da População em Situação de Rua 2021 foi antecipada em dois anos pela Prefeitura de São Paulo, graças à sensibilidade da atual administração diante dos efeitos da pandemia de Covid-19 e da crise econômica." Leia a nota completa abaixo.

Seu Cícero vive em local degradante há mais de 20 anos e sobrevive da comida de projetos sociais, mas não foi contado pelo censo da Prefeitura — Foto: Arquivo pessoal

Seu Cícero vive em local degradante há mais de 20 anos e sobrevive da comida de projetos sociais, mas não foi contado pelo censo da Prefeitura — Foto: Arquivo pessoal

Apesar de a situação de moradia degradante de Seu Cícero, a Qualitest, empresa contratada pela Prefeitura por R$ 1,7 milhão para fazer a contagem, considerou no censo apenas pessoas que dormem nas ruas, com ou sem barracas, e em centros de acolhimento.

Esta metodologia está sendo questionada pelo Padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo.

“Este conceito adotado pelo censo é absurdo e distorce a realidade. Quem está em barraca é considerado morador de rua, e quem está no que eles chamam de barraco não é considerado população de rua. Esse Seu Cícero não mora em barraca, então não é considerado população de rua. Por isso que dá essa diferença nos números (subnotificação)”.