Real é a moeda com o pior desempenho no mundo em 2020; entenda as causas

Real é a moeda com o pior desempenho no mundo em 2020; entenda as causas

  • Real é a moeda com o pior desempenho no mundo em 2020; entenda as causas


  • O principal: não há clareza de um plano para solucionar a situação fiscal do país;
  • Há falta de perspectivas de crescimento;
  • Menores taxas de juros tornam menos atraente o investimento no Brasil;
  • A crise ambiental também afasta os interessados.

Como mostrou o G1 na semana passada, houve uma saída recorde de investimentos estrangeiros do país em 2020Mas o que consolidou a última onda desvalorização cambial foi o financiamento proposto para o programa Renda Cidadã, explicam os especialistas.

Ministro da Economia busca novas fontes de recursos para o Renda Cidadã
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Ministro da Economia busca novas fontes de recursos para o Renda Cidadã

Contas públicas e o Renda Cidadã

O uso de verba destinada a pagar precatórios e o redirecionamento de recursos do Fundeb para financiar o novo programa social, como foi anunciado pelo governo nesta semana, gerou uma fuga de dólares ao indicar um aumento de gastos disfarçado.

Precatórios são dívidas que o governo é obrigado judicialmente a pagar. Um atraso de quitação de parte desses débitos foi encarado pelo mercado financeiro como empurrão de dívidas sem resolvê-las. O dinheiro do Fundeb, por sua vez, é demarcado fora do teto de gastos. Essa solução encontrada pelo governo fez ressurgir o termo "contabilidade criativa".

Diante da repercussão negativa, o governo recuou. Na quarta-feira (30), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que recursos de precatórios não serão usados no Renda Cidadã. Não bastou para evitar que a moeda terminasse setembro com alta de 2,5%.

"É consenso que a proposta enviada gera incerteza e isso não some com o recuo. O mercado vai esperar atitudes concretas do ponto de vista fiscal antes de ter uma nova dinâmica de fluxo de câmbio", afirma Fernando Genta, economista-chefe da XP Asset.

Genta explica que, em tempos de Selic mais alta, o diferencial de juros do Brasil (a diferença entre a taxa de juros paga aqui e lá fora) tornava o investimento atraente diante do risco-país. Mas, com a dívida pública crescente após a pandemia do novo coronavírus – mais alta que outros emergentes –, e crescimento lento, pesa mais não ter um plano de pagamento da dívida ou redução de gastos.

"Com a crise global, é natural uma fuga para moedas fortes. E o real, por ser um mercado grande, acaba sofrendo mais por ter mais liquidez", afirma o economista.