SP adota protocolo para casos suspeitos de coronavírus em moradores de rua; mais de 3 mil têm mais de 60 anos

SP adota protocolo para casos suspeitos de coronavírus em moradores de rua; mais de 3 mil têm mais de 60 anos

  • SP adota protocolo para casos suspeitos de coronavírus em moradores de rua; mais de 3 mil têm mais de 60 anos


Morador de rua na escadaria da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1Morador de rua na escadaria da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

Morador de rua na escadaria da Catedral da Sé — Foto: Celso Tavares/G1

Com mais de 24 mil moradores em situação de rua, segundo o último censo, a cidade de São Paulo passou a adotar um protocolo de atuação em casos suspeitos do novo coronavírus. Do total, 13%, ou 3.164 moradores, tem mais de 60 anos - o grupo de risco para a doença.

Relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde colocam os mais velhos entre os mais suscetíveis e entre aqueles afetados pelos maiores índices de letalidade quando atingidos pelo novo coronavírus. O estado de São Paulo confirmou a primeira morte pela doença nesta terça-feira (17). Há ainda outros 162 casos confirmados.

Aos profissionais que atuam nos Consultórios de Rua e no Programa Redenção na Rua - voltado aos usuários da Cracolândia - foram repassadas orientações em caso de identificação de casos suspeitos.

Em casos suspeitos, o profissional de saúde deve:

  • Fazer uso do EPI indicado: máscara cirúrgica e luvas em caso de contato direto com a pessoa em situação de rua utilizar álcool gel antes e após as abordagens;
  • Oferecer máscara cirúrgica para a pessoa em situação de rua;
  • Questionar sobre local onde tem estado e dormido e o endereço (avisar o local para adoção de medidas de vigilância e atentar para possíveis suspeitos e contatos no local);
  • Encaminhar e/ou acompanhar a pessoa em situação de rua à unidade de saúde para atendimento e diagnóstico, e em caso de maior gravidade acionar o SAMU;
  • Informar a unidade de saúde sobre o caso, notificar e monitorar o atendimento;
  • Em caso de necessidade de transporte até a unidade com a utilização do carro próprio da equipe, garantir a ventilação do veículo para aumentar a troca de ar durante o transporte e limpar e desinfetar todas as superfícies internas do veículo após a realização do transporte.

Questionada, a Prefeitura de São Paulo não informou se até agora algum caso suspeito foi reportado às unidades de saúde.

A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), informou que, desde sábado (14), todos os eventos agendados na rede socioassistencial foram cancelados e as visitas suspensas. A pasta disse ainda que os serviços conveniados à pasta "estão intensificando os cuidados com a higiene, como lavar bem as mãos com água e sabão, cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar, evitar tocar os olhos, e orientações de não compartilharem objetos de uso pessoal".

No entanto, o Padre Julio Lancelloti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, disse que em muitos abrigos as condições de higiene "são precárias". "Em muitos dos abrigos não se oferece material de higiene, como escova dental, pasta, sabonete. Onde que vão lavar as mãos?"

O padre destaca ainda que muitos abrigos têm uma grande concentração de pessoas, e muitas delas com problemas respiratórios prévios. A incidência de tuberculose, por exemplo, costuma ser maior entre os moradores de rua. "A maior parte [dos abrigos] tem um número muito alto de pessoas, 500, 400, não tem ventilação muito habituada e muita tosse à noite, é uma sintonia de tosse à noite".

Além das condições precárias, o medo de coronavírus em São Paulo, segundo os moradores de rua, tem diminuído a oferta de refeições nas ruas, como sopas e lanches nas ruas.

Arquidiocese de SP oferece casa para acolher infectados

A Arquidiocese ofereceu a Casa de Oração do Povo da Rua, na região central, como espaço de abrigo para moradores de rua que forem infectados com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

A decisão de oferecer o local teve o aval de Dom Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano que também está preocupado com a situação.

A capacidade do local é para isolar até 50 pessoas, “dependendo do uso que for feito", afirma disse o Padre Júlio. "Duas pessoas da Secretaria da Saúde estiveram lá, viram o espaço, viram com alguma possibilidade de adequação e contam com essa possibilidade caso seja necessário", completou o pároco.

Casa de Oração do Povo da Rua poderá ser local de quarentena para moradores de rua em São Paulo.  — Foto: Arquidiocese de São PauloCasa de Oração do Povo da Rua poderá ser local de quarentena para moradores de rua em São Paulo.  — Foto: Arquidiocese de São Paulo

Casa de Oração do Povo da Rua poderá ser local de quarentena para moradores de rua em São Paulo. — Foto: Arquidiocese de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania disse que "ainda não foi procurada oficialmente para discutir esta possibilidade, e entende que nesse momento, todos os esforços para dar apoio e proteger as populações mais vulneráveis da cidade são muito bem vindos, e portanto se coloca à disposição para pensar alternativas que possam reduzir o impacto da propagação do novo coronavírus no município."

De acordo com a página da Arquidiocese na internet, a Casa de Oração foi construída com dinheiro de um prêmio que Dom Paulo Evaristo Arns recebeu do Japão. Dado pela Fundação Niwano, o prêmio de 190 mil dólares na época (1994) foi um reconhecimento a Dom Paulo “por sua colaboração inter-religiosa para promover o desenvolvimento, conservar o meio ambiente e criar um mundo de paz com a participação de cristãos, budistas, muçulmanos e judeus."